Testemunhas afirmam que Frederick Wassef e Fabrício Queiroz se conhecem a mais de um ano

Três novas testemunhas revelaram ao Jornal Nacional que o advogado Frederick Wassef e o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, se conhecem há pelo menos um ano e meio.

Os testemunhos apontam que ambos se encontraram em dezembro de 2018 –e desmentem, assim, o que Wassef vem afirmando, de que nunca viu Queiroz.

Wassef disse desafiar as testemunhas a apresentar uma foto dele com Queiroz e que tem sido vítima de fake news.

Fabricio Queiroz é suspeito de operar um esquema de rachadinha no gabinete do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), quando Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro.

A Polícia Civil de São Paulo prendeu Queiroz no dia 18 de junho, numa casa que pertence a Wassef. Até domingo (22), ele era advogado de Flávio Bolsonaro.

Na quarta-feira (24), outra testemunha já havia confirmado ao Jornal Nacional que conviveu com Queiroz na casa de Wassef.

No dia 6 de dezembro de 2018, veio a público um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que indicou operações bancárias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O documento mostrou a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz, apontado como operador do chamado esquema de rachadinha, em que funcionários do gabinete parlamentar devolvem parte dos salários que recebem.

Testemunhas

Segundo testemunhas ouvidas pelo JN, 20 dias após a divulgação do relatório do Coaf, em 25 de dezembro de 2018, Queiroz foi para Atibaia, no interior de São Paulo, com Wassef. Ambos se reuniram num hotel no centro de Atibaia.

O nome do titular da reserva do hotel ficou registrado no sistema: Fabrício José Carlos de Queiroz. O hóspede chegou no dia 26 de dezembro de 2018, uma quarta-feira, à 1h26. A passagem do ex-assessor de Flávio Bolsonaro por Atibaia durou poucas horas: ele foi embora por volta de 12h30 do mesmo dia.

Claudia, a funcionária que fez o check-out, disse que o advogado Frederick Wassef estava com Queiroz:

“Walk-in é quando uma pessoa não tem reserva, chega no hotel e quer se hospedar. Então, normalmente é solicitado o documento, né, pra se pegar os dados, e aí pegou-se realmente porque, como eu trabalhava no turno da manhã, eu fui verificar pra poder fazer o check out, por isso que eu fiz o check out. E Realmente ele esteve lá e… quem estava junto na hora do check-out era o… Wassef.”

Andréia Sadi – “E você já tinha visto o Queiroz e o Wassef juntos, além desse dia do check-out do dia 26 de dezembro de 2018?”

“Não, não. Juntos, não. Só nesse dia que eu sei que ele trouxe, né , o Wassef trouxe o Queiroz (…) Só quem ficou hospedado foi o Queiroz e pela manhã o Wassef, na verdade, esteve lá inclusive procurando uma sala”, disse a funcionária.

A funcionária prosseguiu: “O Wassef procurou, ele chegou… querendo uma sala, sempre assim, com muita pressa, né, me lembro. E ele queria fazer uma reunião, então ele procurou um rapaz, né, a pessoa responsável por eventos e que o levou, né, teve contato com eles, e os levou até a sala pra fazer essa reunião. E depois eu efetuei o check-out deles”.

Claudia diz que trabalhou de 2017 a 2019 no hotel e que conhecia o advogado. “Conheço, sim, o Wassef. Ele estava constantemente lá [no hotel].

Andréia Sadi pergunta: “(…) O Wassef, ele frequentava o hotel, você se lembra dele sozinho em outros momentos?”

Claudia diz: “Sim, várias vezes, várias vezes”.

JN também falou com Silvana, outra recepcionista disse ter visto Queiroz no check-out: “Na noite do dia 25, eu me recordo que eu não trabalhei. Mas no dia 26, quando eu cheguei no hotel, ele já estava hospedado”. Perguntada a quem se referia, disse: “O Fabrício Queiroz”.

“Eu vi ele no momento do check-out”, afirmou Silvana.

Pergunta: “Você chegou a ver o Wassef lá também?”

Silvana diz: “Na verdade, eu não o vi. Como ele já era hóspede antigo do hotel, a gente, nós, rolou a conversa de que ele estava lá acompanhando”.

A recepcionista confirma ter havido uma reunião entre os dois no período da tarde. Sobre quem estava presente, afirmou: “Olha, eu não sei te dizer nomes, tinha mais de três pessoas. No caso, a gente tá falando do Wassef, né, do Queiroz?, e a terceira pessoa que era o Edevaldo. Tinha mais uma pessoa, mas não sei te dizer quem era”.

No dia em que Fabrício Queiroz foi preso na casa registrada como escritório de Wassef, uma funcionária do hotel postou numa rede social a notícia. Um ex-funcionário comentou: “Gente, eu fiz um walk0in dele aí no hotel um dia, ele foi com aquele xarope que sempre causa, acho que é Frederick, tem no sistema procura aí. Hahahahahaha”.

Este funcionário do hotel, Patrick, comentou e marcou funcionários e ex-funcionários do hotel na publicação. O JN conversou com ele. “Ele me falou: hoje não sou eu que vou ficar. É esse amigo meu [ Queiroz]”. Foi Wassef que pagou a tarifa, no ato, em dinheiro, disse Patrick. E que, das outras vezes em que o advogado se hospedou no local, também pagou em dinheiro.

Declaração anterior

As entrevistas contradizem Wassef.

Em julho de 2019, sete meses depois de ter ido ao hotel em Atibaia com Queiroz, Wassef afirmou que não conhecia o ex-assessor da família Bolsonaro. Dois meses depois, nova entrevista: “É importante lembrarmos que não existe a frase o sumiço de Fabrício Queiroz”. Perguntado onde ele estava, disse: “Não sei, não sou advogado dele”.

Advogado disse em entrevista à Sadi que não sabia onde estava Fabrício Queiroz

Advogado disse em entrevista à Sadi que não sabia onde estava Fabrício Queiroz.

No dia 20 de maio, Wassef foi de novo questionado pelo portal UOL sobre o paradeiro de Queiroz: “Se o Queiroz não tem importância nenhuma, ele podia aparecer, né?”, ao que o advogado respondeu: “Também acho que ele podia aparecer”.

Em 20 de junho, ao Jornal Nacional, Wassef disse que não podia falar sobre o que Queiroz fazia na casa dele quando foi preso.

Outra testemunha

Advogada que conviveu com Queiroz em Atibaia diz que a mulher dele passava dias na casa

Na quarta, o JN falou com Ana Flávia Rigamonti, que contou ter trabalhado para Wassef de maio a dezembro de 2019. Ela disse não se lembrar quando Queiroz chegou em Atibaia, mas que, enquanto os dois estavam na casa de Wassef, chegaram a ficar amigos.

O pedido de prisão de Queiroz faz referência a uma pessoa chamada “Ana”. Os promotores não esclareceram se é a advogada Ana Flávia Rigamonti. Numa mensagem interceptada pelos investigadores, a mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar, pede que a filha avise Ana que ela e o marido estavam a caminho de São Paulo.

Neste mesmo dia, a filha de Márcia enviou à mãe a resposta de Ana: “Pode ficar tranquila que não falo nada, não”.

Já em outro diálogo registrado em novembro de 2019, o filho de Queiroz mandou para Márcia uma mensagem de áudio encaminhada por Ana, em que ela afirma que não teria comentado com o “Anjo” sobre uma viagem de Queiroz e de Márcia, pedindo que “se ele questionar alguma coisa, vocês falam que foi agora”.

Segundo as investigações, “Anjo” era como Queiroz e os parentes se referiam a Frederick Wassef. Ana Flávia diz que não sabe quem é o “Anjo”. Ao ser perguntada pela reportagem se tinha o hábito de chamar o advogado de anjo, ela disse que não, que sempre o chamou de Doutor Fred. Já ao ser questionada se entre ela, o Queiroz e a Esposa, se teve alguma vez que se referir a Wassef como anjo, ela não respondeu. “Bom, essa pergunta eu prefiro não responder.”

Fonte: Quidnovibrasil/G1/JN