OAB-DF: o preço de uma manobra ardilosa

Por Mino Pedrosa

A história da OAB/DF nasceu junto com a capital federal, Brasília. As duas são sessentonas. A Seccional se instalou na capital em 25 maio de 1960, dias após a inauguração da cidade. A partir de então, lutava pela advocacia, cidadania, justiça social, e principalmente a manutenção do Estado Democrático de Direito.

Nos primeiros anos, a Ordem funcionava com advogados, juristas renomados, enfrentando o regime militar autoritário em uma pequena sala no sétimo andar do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, à época o Edifício nº 6 da Esplanada dos Ministérios. De lá para cá, muitas mudanças ocorreram na estrutura da Seccional principalmente com gestões catastróficas. Acontece que com o passar dos anos, aqueles advogados idealistas foram sendo substituídos pôr interessados no balcão de negócios. Os escritórios renomados passaram a emplacar advogados pontas de lanças ligados principalmente a governadores para a prática do toma lá dá cá, em cargos e em outras benesses. Com isso a OAB vendou-se para os advogados principalmente para advogados autônomos e pequenos escritórios.


A eleição que elegerá a chapa que ficará no comando da OAB/DF no triênio 2022/2024 está marcada para o dia 21 de novembro de 2021 (domingo), no período contínuo das 10h às 18h, por meio de plataforma on-line. No entanto, a temperatura já está alta e na semana passada a disputa entre as chapas ficou ainda mais acirrada com a ingerência do governador do Distrito Federal e ex-presidente da Ordem, na Seccional DF, Ibaneis Rocha (MDB-DF), com mão de ferro.

A então pré-candidata do movimento OAB a Mudança, Alinne Marques, desistiu da disputa para eleição como cabeça de chapa e decidiu juntar-se a Thaís Rídel com o discurso de que os dois grupos defendem os mesmos propósitos. Mas, não é bem assim.

Na verdade, o grupo do Movimento Respeito é a Ordem conta com o apadrinhamento de Ibaneis Rocha, que tentou emplacar o ex secretário de projetos especiais, Everardo Gueiros (Vevé). No entanto, Vevé temeu a devassa que a CPI poderia fazer em sua vida com a convocação do lobista Kennedy Braga, pai de sua esposa e por isso retirou sua candidatura. Então, a turma de Ibaneis, juntamente com os que estavam empenhados na possível candidatura de Vevé migraram para a campanha de Thaís.

Com mão pesada, e manobra ardilosa, o governador do DF, forçou Alinne Marques a desistir e apoiar Thaís. Segundo relata Alinne suas noites com insônia tem sido muito difíceis. Afirma ter recebido ligações do próprio Ibaneis Rocha pressionando e dizendo não aceitar sua candidatura na disputa para presidir a Seccional Brasília da OAB. “Não vou admitir sua exoneração. Você não será candidata à Ordem. Não aceito sua exoneração”. Revelação feita por Alinne ao núcleo dura da pré-campanha na última sexta-feira.

O que o comando da campanha não sabia até então é que Alinne Marques havia pedido ajuda ao deputado distrital Robério Negreiros ( PSD-DF ) para quem trabalha, a fim de que o mesmo usasse sua influência política e convencesse o governador a indicá-la para vice na chapa de Thaís. Alinne também autorizou seu coordenador de campanha a negociar com Lucas Kontoyanis, assecla de Ibaneis, o mesmo feito ou cargos de comando. Tudo isso sem a anuência do grupo e seus apoiadores. Kontoyanis ouviu a proposta e disse que Alinne estava pleiteando muito alto já que a chapa conta com Vevé e outros que também já haviam também pleiteado a ocupação dos vários cargos. Mesmo assim, Kotoyanis levou a proposta para o núcleo duro da campanha de Thaís. Certo de que a proposta seria impossível de ser aceita e usaria a oportunidade para queimar Alinne e descartar o nome dela na chapa.

Parece que dessa vez Lucas Kontoyanis não vai poder cobrar fatura de duas campanhas como fez na eleição passada em que trabalhou para a campanha do advogado Délio Lins Jr (Delinho) que venceu o candidato apoiado por Ibaneis, Dr. Jacques Veloso. Outro exemplo de duas velas acesas é o que Kontoyanis faz na política local em que se diz aliado de Ibaneis, mas, opera para o ex-governador José Roberto Arruda que trabalha para emplacar sua esposa, Flávia Arruda no Palácio do Buriti.

Contudo, Alinne aparece agora abraçada a Ibaneis em evento do MDB no Gama, dando demonstrações de que a manobra ardilosa foi um sucesso. Alinne será indicada como vice na chapa de Thaís Rídel. O que os apoiadores de Alinne não conseguem contabilizar é o preço da traição. Porém, o que já se sabe é que: a reforma no escritório da Doutora Alinne Marques custou uma fortuna bancada com dinheiro da pré-campanha doado por apoiadores que apostam na derrota de Ibaneis.