GDF: Os tentáculos do grupo da rapinagem

Por Mino Pedrosa

O governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB-DF), está em saia justa quando o assunto é a empresa Mediall Brasil S/A investigada pela Polícia Federal e o Ministério Público. Em 2018 após ter vencido as eleições para o governo do Distrito Federal, Ibaneis precisava montar o time para administrar o GDF. Para isso, o governador sem experiência política escalou um time de jogadores bom de bola, famosos nacionalmente pelo peso da rapinagem. Ibaneis teve a orientação do conterrâneo e líder do baixo clero na Câmara Federal, Senador, Ciro Nogueira (PP-PI) e do Ex-presidente da República Michel Temer (MDB-SP) que indicaram executivos conhecedores na gestão da máquina federal a fim de transformar o GDF em vitrine nacional. No entanto, mau começou o governo e Ibaneis foi mordido pela mosca azul passando a sonhar em ser Presidente da República. Porém, não demorou muito para que escândalos com os craques começassem a vir a público.

E quando se trata de saúde as suspeitas de corrupção tomam um volume gigantesco. O ex secretário de saúde, Osnei Okumoto, um dos artilheiros indicado pelos cartolas, tenta novamente emplacar a empresa Mediall Brasil S/A, que já foi contemplada na época em que o mesmo era gestor da pasta. O contrato com “dispensa de licitação” foi celebrado pela bagatela de R$ 199.400.400,00, sendo que 70% desse valor pago obrigatoriamente e 30% pago a depender de desempenho. A empresa é investigada por adulterar e inflar números de seus serviços prestados para a gestão em três hospitais de campanha de Brasília. As fraudes levaram a Mediall para dentro do olho do furacão na CPI da Covid-19 no Senado Federal. A companhia, que possui um procedimento interno na pasta da Saúde, que analisa possíveis irregularidades cometidas pela empresa, já chegou a ser citada na CPI da Covid-19 e tenta ser recontratada pelo governo de Ibaneis Rocha.

Mesmo com os apontamentos na CPI da Covid-19 a empresa apadrinhada por Osnei Okumoto que já ocupou o cargo de secretário da saúde no governo de Ibaneis Rocha por duas vezes e foi exonerado por conta de escândalo de corrupções, agora, mesmo fora tenta impor ao governador a renovação do contrato milionário da Mediall Brasil S/A. No entanto, as investigações apontam a adulteração nos números apresentados na prestação de contas. Contratada desde abril de 2021, como mostra o Diário Oficial do dia 22, para administrar e gerir três hospitais de campanha, como forma de controle da Covid-19, a empresa teria anexado prontuários de pacientes antigos na contabilidade atual.

Dessa forma, pacientes de 2011, 2012, 2014, 2016, 2017 e 2018 foram incluídos na contagem de atendimentos para justificar o serviço prestado durante a pandemia do novo coronavírus (ou seja, de 2019 em diante). Os estreitos laços da Mediall Brasil S/A com o ex-secretário Osnei Okumoto coloca a empresa em posição privilegiada na briga pela renovação do contrato novamente com dispensa de licitação.


Osnei Okumoto chegou ao cargo de secretário de saúde do GDF pelas mãos do operador do PP nacional, o executivo, Adeilson Loureiro Cavalcante, que exerceu a função de secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, durante a gestão de Ricardo Barros na pasta, e de secretário-executivo do órgão na gestão seguinte, de Gilberto Occhi. Adeilson por sua vez é afilhado político do presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP-AL). Já Gilberto Occhi, peça importante no grupo, atualmente está no comando do Iges-DF (Instituto de Gestão Estratégica), considerado a galinha dos ovos de ouro para o grupo e por onde também passou outro indicado de Adeilson, o ex-secretário Francisco Araújo, preso em decorrência da operação Falso Negativo.

Adeilson, que chegou a ser citado algumas vezes na CPI da Covid19, participou ativamente da transição do governo de Ibaneis Rocha. Após recusar assumir a função de secretário, devido a um processo que responde em Alagoas, onde Fracisco Araújo também é réu, Adeilson indicou os amigos aos principais cargos na pasta da saúde. Francisco Araújo, um de seus indicados, foi impedido pelo TCU (Tribunal de Contas da União) de exercer função pública por oito anos.

As indicações feitas por Adeilson no governo do GDF cominaram no requerimento de convocação de João Kennedy Braga feito pelo senador governista Eduardo Girão (Podemos/CE) na CPI da Covid19. Braga é outro suposto operador na saúde que atua em âmbito local e nacional e que possui relações próximas com os indicados de Adeilson. Ele também tem trabalhado nos bastidores em favor da manutenção do contrato milionário da Mediall.

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Lobista piauiense, ponta de lança do senador, Ciro Nogueira, Kennedy Braga se vangloria ser amigo pessoal do governador Ibaneis Rocha e já trabalhou em favor da Precisa Medicamentos, empresa investigada na operação Falso Negativo, após superfaturar testes de Covid-19 no Distrito Federal, e que teve seus contratos vasculhados pela CPI da Covid.

No comando da diretoria financeira do Hospital Veredas, em Alagoas, Adeilson Loureiro tem sido um assíduo frequentador do Windsor Plaza Brasília Hotel. Um dos mais requintados hotéis localizado na área central de Brasília. A frequência de Adeilson se dá para manter a proximidade com Okumoto e a realização dos acertos.

Pelo visto, o governador Ibaneis Rocha está entre a cruz e a espada: ou atende as faturas do grupo da rapinagem e vai de encontro a Polícia Federal e Ministério Público ou desagrada os aliados e se infla junto ao judiciário.