Cabeça na bandeja: as pegadas do Pezão

Por Mino Pedrosa

Na última sexta-feira, 26, um almoço indigesto foi servido ao Governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB-DF), no cardápio principal, a cabeça de um amigo na bandeja. Ibaneis criou a Secretaria de Atendimento à Comunidade (SAC) para emplacar Severino Cajazeiras, considerado um amigo íntimo para ‘’todas as horas’’.

A pobre secretaria, sem orçamento e pendurada na Casa Civil, não era motivo de cobiça, até que, a finalidade dos projetos executados por ela, serviu de vitrine para o eleitorado brasiliense. De pronto, Severino se empenhou buscando recursos com intenção de expandir a secretaria atendendo aos anseios da população.

Como tudo que reluz no governo é ouro, não demorou muito e um grupo seleto e ardiloso foi a caça a fim de abocanhar o orçamento milionário com um mega potencial eleitoral, conquistado por Severino em fevereiro deste ano.

Como nada fica escondido, nomes foram aparecendo deixando claro a intenção. No comando, o super-secretário, José Humberto Pires de Araújo, vulgo ‘’Pezão’’ acompanhado de Lucas Kontoyanis, Janio Pinto Ribeiro, Dr. Marlucio Lustosa (cunhado de Ibaneis) e a ex-encarcerada, Elizabethe Guilherme Raimundo, vulgo Beth Guilherme.

Foto montagem símbolo da traição: da esquerda para direita, Severino, Pezão, Beth e Ribeiro.

Naquela sexta-feira, Janio Ribeiro, como anfitrião e candidato a substituir Cajaseiras, recebeu em sua casa o grupo que tramava a derrubada de Severino, com a chancela pessoal do governador.

Zé Humberto ocupa uma função estratégica dentro do governo, com um poder de articular rasteiras sem deixar digitais, a exemplo: o Ex Secretário da casa civil Eumar Novacki, o também Secretário Valdetario Monteiro, e a mal sucedida tentativa com a deputada Federal, Celina Leão que comanda a Secretaria de Esportes.

Durante o almoço, Pezão teceu varias criticas a gestão de Severino, pontuando algumas como, incompetência e ‘’falta de jogo de cintura política’’, responsabilizando pela exoneração de Hot-Hot um assessor que vem fazendo estrago denunciando, pelas redes sociais, as mazelas do governo Ibaneis.

O super-secretário não perdeu tempo e nomeou ali mesmo Janio Ribeiro como o novo Secretário de Atendimento à Comunidade e não por aí, chamou o governador Ibaneis para almoçar o “prato pronto.

Ribeiro está lotado com um CNE 04, no gabinete de “Pezão” e teve a companhia da assessora e braço direito de Zé Humberto, Beth Guilherme, que foi presa no governo de José Roberto Arruda envolvida no escândalo de vendas de Box em feira. Vale lembrar que “Pezão” também era super Secretário no governo de Arruda.

O governador Ibaneis concordou e apoiou a saída de Severino e não comunicou ao amigo “íntimo”. Na sobremesa, Ribeiro serviu para o grupo, a sua fidelidade na gestão mostrando o cabresto para todos e incorporando o papel de marionete. A notícia da traição chegou como um rastilho de pólvora aos aliados fieis de Severino na Ordem dos Advogados, mesmo porque, Severino e Ibaneis caminharam juntos quando o atual governador do DF era presidente da OAB-DF e tinha Severino como seu vice, depositando total confiança e tornando-se íntimo amigo.

No sábado (27) Ibaneis recebeu em sua residência os emissários de Cajaseiras que exigiram a permanência do secretário no cargo e que convenceram o governador a encontrar uma saída honrosa para não desgastar Severino e enterrar suas pretensões políticas.

Ibaneis garantiu aos emissários que não iria substituir ninguém na secretaria, no momento, mas também não se mostrou satisfeito com Cajaseiras a frente da pasta.

Nesta segunda-feira, 29, Severino recebeu recado do governador: ‘’você ainda é o secretário’’. Cajazeiras recebeu a notícia e comemorou, mas sabendo que em breve receberá outra rasteira. A Secretaria recebeu esse mês de março 10 milhões de reais e receberá em abril 20 milhões de reais.

Será esse o motivo da cobiça, afinal, as pegadas que ficaram na traição deixam claro que um pezão passou por ali. Os interesses “empresariais” e políticos de José Humberto deixaram rastros para encontrar no caminho o ex governador José Roberto Arruda e a deputada Federal, e agora ministra de Bolsonaro, Flávia Arruda.