Governador Ibaneis: diga verdadeiramente quem o cerca, que direi quem tu és.

Por: Mino Pedrosa.

O ponto em que as ações do Governo convergem com o Secretário de Saúde do Distrito Federal Francisco Araújo Filho está na canalhice da omissão dos verdadeiros resultados da pandemia do COVID-19 e a participação no forte esquema de corrupção nos cofres do Governo do Distrito Federal (GDF). A semana foi longa para o trio Osnei Okumoto, o Presidente do Hemocentro, para o Lobista Kennedy Braga e o Secretário de Saúde Francisco Araújo que na semana passada foram alvos na operação denominada Alto Escalão, um desdobramento da Operação Checkout.

A imprensa divulgou que a Operação Alto Escalão tinha como alvo uma máfia que atuava sangrando os cofres da Secretaria na gestão do então Governador petista Agnelo Queiroz, mas não foi bem assim para o grupo de inteligência que atua à serviço do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). As buscas e apreensões realizadas durante a operação tinham como objetivo também flagrar a continuidade do esquema criminoso agora nas mãos desses três personagens. Kennedy Braga, apelidado pelos investigadores de “Ratazana Albina”, atua às sombras com pelo menos quatro empresas na área de saúde servindo de ponta de lança para o Presidente do Partido Progressista Senador Ciro Nogueira (PP-PI). O Lobista também atende aos chamados de ex-secretários de saúde e de Francisco Araújo, atual comandante da Pasta no DF. Kennedy emplacou o genro Michel Jefferson Lima Santos no cargo de Subsecretário de Infraestrutura de Saúde no DF e o transferiu para a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) logo após o primeiro escândalo da Pasta na gestão do Governador Ibaneis Rocha.

Os investigadores rastrearam a atuação de empresas em nome de laranjas comandadas por Kennedy Braga no Geap Fundação de Seguridade Social, onde o comando é indicação da cota do Senador Ciro Nogueira junto ao Governo Federal. A suspeita que paira sobre as empresas que o lobista atuou no Geap é de aproximadamente 10 milhões de reais somando à atuação de quatro empresas contratadas com a finalidade de sangrar os cofres da Fundação.

No governo Ibaneis Rocha, o “Ratazana Albina” montou um gabinete paralelo ao governo próximo a anti sala do Presidente do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IGES). Na estrutura, o gabinete conta com secretária, auxiliares e outras mordomias, além dos contatos com os fornecedores para o IGES que passa pelas mãos do lobista antes de ser autorizado pelo Presidente do Instituto que há pouco era Francisco Araújo, atual Secretário de Saúde. As investigações levam para um caminho em que determinado momento houve uma ruptura na quadrilha por briga de espaço com empresas prestadoras de serviços. Francisco Araújo assumiu a Secretaria de Saúde pouco antes da pandemia do novo Coronavírus, criando hospitais de campanha onde empresas indicadas por ele assumiram gestões e construções de hospitais sem participar de licitações. No rumoroso Caso do Hospital de Campanha Mané Garrincha, Okumoto e Francisco emplacaram Marcelo Henrique Mello como gestor representante da empresa contratada pelo GDF. Marcelo teve uma passagem meteórica pelo cargo de Subsecretário de Atenção Integral à Saúde tendo que deixá-lo à mando da Justiça.

As investigações revelam um direcionamento para empresas escolhidas pelo Secretário de Saúde atual. Quatro dessas empresas foram desclassificadas para que Marcelo Henrique, representando a Contarpp Engenharia, administrasse o Hospital de Campanha Mané Garrinha como gestor. Vale lembrar que Marcelo também faz parte dessa engrenagem investigada pelo GAECO e CECOR-DF. Documentos obtidos nas buscas e apreensões da Operação Alto Escalão indicam fraudes nos contratos em que empresas ligadas ao IGES atuam no fornecimento de insumos e prestação de serviços com dois CNPJ principalmente na gestão do apelidado pelos investigadores de “Saruê”, Francisco Araújo. Em computadores apreendidos, foram encontradas fotografias que revelam estreitas relações de Francisco com o empresário André Scarassati, envolvido em escândalo de desvio milionário no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).

Batizado de “Vampiro” no organograma dos investigadores, Osnei Okumoto é peça nessa engrenagem que desvia e sangra os cofres da Secretaria de Saúde. Quando Secretário da Pasta, Okumoto atuava na cabeça do organograma fazendo vistas grossas e dando autonomia aos integrantes do esquema criminoso. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) recebeu denúncias de direcionamento de empresas em licitações, com isso, Ibaneis teve que exonerar alguns dos servidores na tentativa de salvar ex-secretário Osnei, que sabe demais. O Governador do DF promoveu, com sua caneta já desgastada por tantas nomeações, mais uma dança das cadeiras, fazendo Okumoto “cair para cima” ocupando o cargo de Presidente do Hemocentro do Distrito Federal.

Importante ressaltar que os personagens deste filme de terror atuam desde o Ministério da Saúde na gestão da ex-presidente Dilma Rouseff e Michel Temer. As autoridades que estão à frente das investigações avaliam que quando houver os desfechos desse imbróglio envolvendo desvios de recursos públicos ficará difícil para o Governador Ibaneis Rocha se esquivar dos operadores da máquina de fazer dinheiro sujo.