Condomínio Mansões Entre Lagos: o terror imposto pela milícia

Por Mino Pedrosa

Os moradores do maior condomínio horizontal no Distrito Federal com cerca de 15 mil famílias vivem o terror com as ameaças de um grupo de grileiros de terrenos particulares que formam uma milícia armada e ditam as regras dentro do residencial com o apoio de advogados que se escoram em decisões de magistrados suspeitos denunciados no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Condomínio Residencial Mansões Entre Lagos foi criado na década de oitenta com uma localização privilegiada na ponta do Lago Sul, bairro nobre da Capital Federal pelas empresas empreendedoras PITE S/A e  MIDAS EMPREENDIMENTOS que abandonaram o projeto forçando os moradores a criarem a Associação de Proprietários e Moradores do Entre Lagos (ASMEL) para poderem dar continuidade na urbanização e montagem do condomínio.

No comando da instituição criada para retomar as obras foi eleito pelos moradores o servidor público Adilson Azevedo Barreto. Os anos se passaram, o condomínio ganhou forma e Adílson passou a acumular outras funções como: prefeito e síndico. Diante da sobrecarga de trabalho contratou Rodrigo Pereira da Silva com a função de gerente, porém, o mesmo foi cooptado por grileiros criminosos e passou a falsificar documentos de propriedades particulares e vende-los posteriormente. Rodrigo tinha acesso ao cadastro de moradores do condomínio o que facilitou o crime. Consta no processo que Adílson Azevedo percebeu uma movimentação de pessoas estranhas circulando no condomínio e construções de várias residências ao mesmo tempo e entrou em contato com os donos dos lotes para regularizar as pendencias junto ao condomínio.

O síndico a época foi surpreendido pelos proprietários que não sabiam da existência de obras nos terrenos. Diante disso o conselho fiscal procurou a polícia para denunciar os invasores do condomínio. As investigações concluíram que um grupo de grileiros agiam com a conivência e participação do gerente Rodrigo de Pereira da Silva. Os investigadores identificaram a quadrilha que culminou com a prisão de vários integrantes entre eles o gerente Rodrigo,  Renilson Oliveira Torres e Arquisio Bites Leão, funcionários de cartório e imobiliária.

Ao sair da cadeia, Rodrigo e seus familiares se associaram ao grupo que se organizou e tomaram de assalto o comando da administração do condomínio e desde 2018 impõe medo a quem contraria ou se coloca no caminho das pretensões do atual síndico Mauro Domingos Traversin, do subsíndico Adenir Pinto da Silva e seus apoiadores.

Tudo começou a partir da tumultuada eleição em que o grupo se apossou da administração derrubando a força o veterano Adílson Azevedo Barreto e sua diretoria. Mauro Traversin estampou a capa do noticiário na capital federal por ter sido flagrado fazendo ameaças com arma de fogo em punho a moradores. As eleições de 2018 viraram caso de polícia após suspeitas de fraudes, tumultos e denúncias de saqueamento de equipamentos e documentos do condomínio, grilagem de lotes e agressões a funcionários e moradores.

                Adilson esteve à frente do Entre Lagos por mais de uma década e não é de causar estranheza o fato de que quase toda a infraestrutura realizada dentro do residencial foi feita sob seus cuidados. Asfaltamentos com rede de capitação de água, áreas de lazer, portaria, sede administrativa que foi derrubada pela atual gestão, projetos ambientais para viabilizar a regularização e chegar a tão sonhada escrituração dos lotes. Não se fala da valorização do Entre Lagos sem que seja lembrado o nome do ex síndico. No entanto, o pioneiro do condomínio que mais parece uma cidade, pois, contém mais de 15.000 pessoas que residem e ou trabalham no local, foi surpreendido não só no condomínio, mas, também no judiciário após liminar deferida pelo juiz Renato Castro Teixeira Martins que em audiência chegou a bater boca com Adilson chegando a lhe oferecer o comando da audiência. As várias reações do magistrado que já foi denunciado várias vezes no CNJ dão a entender que esteja atuando com parcialidade no processo. Áudios gravados durante a audiência comprovam o comportamento parcial do magistrado que em alguns momentos diz conhecer bem a vida de Adilson Azevedo Barreto mais do que ele imagina, chegando a confundi-lo com uma testemunha de um caso de assassinato, o que de pronto Adilson se defendeu por se tratar de uma outra pessoa. Situação em que claramente efetivaria o impedimento do juiz em atuar no caso.

Coisas esquisitas acontecem no condomínio e até mesmo a dilapidação do patrimônio parece passar despercebido das barras da justiça. Um leilão para venda de lotes pertencentes a Administração do Condomínios Residencial Mansões Entre Lagos foi coordenado pelo subsíndico Adenir P. da Silva que em processo no judiciário declara ser hipossuficiente, porém, a compradora do lote 3-B-027 foi sua esposa, Sônia Maria Fernandes.

Contra membros da atual administração pairam denúncias de Apropriação Indébita de mais de 300 mil reais do condomínio, Falsidade Ideológica por simulação de eleição para assumir os cargos no condomínio, Furto de veículo de morador além de vários processos por injúria e difamação. Os moradores vivem acuados e denunciam a presença da milícia armada que intimida com ameaças e agressões.

A esquerda o flagrante do furto de documentos fiscais. A direita Mauro e Adenir no Tribunal após a devolução do computador e documentos.

Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020 dos 5570 municípios brasileiros 3250 possuem população abaixo dos 15.000 habitantes. Esse paralelo justifica os problemas e as disputas para o comando do Entre Lagos que atualmente possui receita anual de mais R$ oito milhões para ser administrada. De acordo com o estatuto do condomínio o mandato do síndico deve ter a duração de um ano, no entanto, desrespeitando as normas a atual gestão não convocou novas eleições, contudo uma ação na justiça impetrada por moradores, determinou a realização de uma nova eleição para escolha do síndico, o que deverá acontecer em novembro. A depender das estatísticas e do histórico recente no residencial, a polícia vai precisar atuar fortemente por se tratar de criminosos de alta periculosidade.