CNC/Fecomércio: Os furacões das delações alcançam o alto escalão da política nacional.

O presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), José Roberto Trados e o presidente da Fecomércio-DF, Francisco Maia Farias, sofreram nesta, terça-feira, 14, uma derrota acachapante no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).

Em solenidade no Palácio do Buriti, na presença de secretários e do vice-governador do Distrito Federal-DF, Paco Britto, foi assinado um documento que garantia a construção de Hospital de Campanha no DF com mais de 400 (quatrocentos) leitos para atender infectados pela COVID-19.

Francisco Maia, conhecido como Chico Maia, garantiu na solenidade que a CNC e a Fecomércio-DF entregariam o Hospital em 60 (sessenta) dias, mas não foi bem assim. Na tentativa de economizar verbas da CNC, Roberto Trados determinou que o Departamento Jurídico emitisse parecer contrário à doação do Hospital de Campanha, justificando a ilegalidade.

Diante disso, a Fecomércio- DF recuou na construção do Hospital e anunciou a compra de 50 mil kits para realização de testes para a COVID-19.
Francisco Maia e Roberto Trados buscaram os kits para testes com o custo de R$ 18,00 cada, no mercado paralelo para justificar aos comerciantes e funcionários do comércio, o “recuo” na construção do Hospital de Campanha. O valor chama atenção por ser considerado muito abaixo do mercado oficial, já que o custo médio é de R$ 68,00.

A denúncia do Sindicato dos Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas (SINDILAB-DF), aponta que os testes só podem ser manuseados por técnicos e levantou suspeitas quanto a eficácia do produto adquirido no mercado paralelo.

Segundo o SINDILAB-DF, que representa os laboratórios, o Serviço Social do Comércio (SESC-DF) está atuando de forma irregular na atividade por não possuir laboratórios para realização desses procedimentos.

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) estão investigando a empresa que vendeu os kits para testes com preço muito abaixo do mercado. A suspeita é de que os testes sejam “refugo” de lotes descartados na China. Com isso, mais uma vez, a CNC na gestão de Roberto Trados, entra na mira da Polícia Federal.

No Rio de Janeiro (RJ), o escândalo de corrupção que levou o ex-governador, Sérgio Cabral e o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz para cadeia, revelou um esquema em que alguns governadores nos Estados utilizam a Fecomércio como canal para abastecer políticos Mdbistas, veículos de comunicação e até membros do Tribunal de Contas da União (TCU) com propinas.

Na Operação Lava Jato, Danielle Paraiso de Andrade Schneider, que trabalha há 19 anos como diretora jurídica no SENAC/Fecomércio-RJ, e ex-mulher de Orlando Diniz, revelou em delação premiada que políticos usaram escritórios de advocacia para desviar milhões de reais dos cofres da Fecomércio e da CNC.

Danielle disse que no final de 2011, houve um pedido de intervenção do SESC-Nacional e a abertura de procedimento no Tribunal de Contas da União (TCU) no qual o SENAC-RJ era defendido pelo advogado Everardo Gueiros.

Em meados de Janeiro e Fevereiro de 2012, Orlando contratou o escritório de Sérgio Bermudes para tentar barrar a intervenção na justiça comum do RJ e a liminar deferida em 1º Grau foi cassada pelo TJRJ. Danielle disse ainda, que em 2012 estava em uma reunião no SENAC com a presença de Orlando Diniz, Everardo Gueiros e outros diretores, tento Orlando recebido a informação de que a liminar havia sido cassada.

Everardo Gueiros então entrou em contato com o advogado Fernando Hargreaves para ver se este poderia ajudar.

Hargreaves disse que o problema de Orlando Diniz era político e indicou para Everardo Gueiros o escritório de Roberto Teixeira, credenciado para resolver o problema. Disse ainda que Teixeira tem trânsito direto com Eduardo Gabas, até então, presidente do Conselho Fiscal do Departamento Nacional do SESC, responsável pelos pedidos de intervenções e denúncias.

Everardo Gueiros orientou Orlando Diniz a contratar o escritório de Roberto Teixeira, que apresentou propostas de honorários no valor de R$ 10 milhões a serem pagos da seguinte forma: 1 milhão em espécie para começar os trabalhos, alegando que o caso poderia se resolver em 15 dias, por se tratar de uma questão política. Para o pagamento da 1ª parcela, Danielle sacou parte do dinheiro em espécie, não recebendo quitação do empréstimo para Orlando. Ela disse que o dinheiro em espécie teria que ser entregue em São Paulo por exigência do escritório indicado por Everardo Gueiros. Danielle ficou muito nervosa e perguntou várias vezes a Orlando como a entrega desse volume de dinheiro seria realizada em São Paulo -SP. Foi indicada uma pessoa no Rio de Janeiro que receberia o dinheiro e entregaria em SP. Posteriormente, ela soube por intermédio de Fernando Hargreaves que a tal entrega teria sido viabilizada por Álvaro Novis, que seria um “doleiro” do Orlando.

Roberto Teixeira exigiu inicialmente que os contratos fossem firmados em nome de Orlando Diniz, não sendo feito nenhum pagamento via SESC/SENAC. O restante do pagamento foi acordado entre os advogados que formalizaram com a Fecomércio-RJ, sem submeter a Auditorias da Controladoria-Geral da União -CGU e do Tribunal de Contas da União-TCU, via caixa dois.

O Ministério Público Federal identifica na CNC e na Fecomércio, um feudo político partidário comandado pelo MDB em vários Estados. Depois do escândalo que culminou com a prisão de Sérgio Cabral e Orlando Diniz, outros governadores Mdbistas acolheram o esquema corrupto que “sangra” os cofres da CNC.

No Distrito Federal o Governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) nomeou como Secretário, cuidando das Parcerias Público-Privadas, o advogado Everardo Gueiros, investigado na Operação Lava-Jato. Na presidência da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB), Ibaneis emplacou Daniel Rossiter, também investigado na Operação Lava-Jato, por desvio de milhões dos cofres públicos.

O escritório de advocacia de Ibaneis Rocha defende a Fecomércio e CNC com honorários milionários. O governador justifica que está licenciado do escritório e nega a influência política nos contratos. O fato é que a estreita relação entre o ex-presidente Michel Temer, Roberto Trados e Ibaneis Rocha, mantém aceso o feudo Mdbista na CNC e Fecomércio.

Roberto Trados mantém na CNC e Fecomércio a cúpula de assessores que faziam parte do “núcleo duro” do Governo Petista/Mdbista.

O maior exemplo de poder de Michel Temer na CNC é a sua ex-assessora particular e secretária, Nara de Deus, nomeada para o cargo de Chefe da Assessoria Institucional, com o poder de mando na Fecomércio em todos os Estados. Vale a pena lembrar, que na prisão do ex-presidente Michel Temer, Nara de Deus foi alvo de buscas e apreensões em seus endereços. Na delação do ex-governador Sérgio Cabral, constam pagamentos mensais de propina para três Ministros do TCU: Bruno Dantas, Vital do Rêgo e Raimundo Carreiro, para “proteção dos interesses da gestão de Orlando Diniz” na Fecomércio-RJ.

Sérgio Cabral “furou o tumor” do MDB, provocando “metástases” em vários Estados.

A delação do ex-governador promete e já faz os caciques Mdbistas perderem noites de sono.

Faltou a assinatura: Por Mino Pedrosa