Caixa de Pandora: MPDFT sacode a poeira

Por Mino Pedrosa

O bodum que paira sobre a Caixa de Pandora vem sendo combatido com naftalina pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A justiça faz andar o processo Caixa de Pandora que por influência política adormece nas gavetas a mais de uma década. Dos armários, no judiciário alguns esqueletos foram expostos. Na bandeja: José Roberto Arruda, Maria Cristina Boner Leo, Durval Barbosa Rodrigues, Paulo Octávio Alves Pereira (P.O) e seu preposto Marcelo Carvalho de Oliveira. Na tarde de ontem (10) o MPDFT confirmou a denúncia de pelo menos 19 réus.

A movimentação foi intensa e as poderosas múmias agiram para calar a imprensa e não deixar vir a público o chegar da hora anunciada pelo MPDFT.  No dia 15 de janeiro de 2020 o MPDFT já havia pedido a condenação de Paulo Octávio, José Roberto Arruda e Cristina Boner Leo com penas de 24 anos de prisão. A empresária, ex toda poderosa representante da Microsoft é mulher do advogado Frederick Wassef, responsável pelo processo do Senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. Experta do ramo de tecnologia, Cristina atua nos bastidores em parceria com P.Oque tentou emplacá-la no governo Ibaneis Rocha (MDB-DF) a cerca de um ano em contratos do Detran-DF.

O Ministério Público Federal (MPF) recebeu relatórios de investigações do caso Flávio Bolsonaro onde Cristina Boner e Frederick Wassef gozam de estreitas relações familiares com o presidente Jair Bolsonaro. No relatório até então confidencial, após a posse do presidente, Cristina Boner presenteou o casal Bolsonaro com uma aliança em ouro confeccionada com exclusividade por uma joalheria no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. No relatório também chama atenção um JEEP LAND ROVER adquirido pelo presidente Jair Bolsonaro que estava em nome de uma empresa de Cristina Boner.

                Após a posse Bolsonaro pediu para que Frederick Wassef vendesse o JEEP para evitar polêmicas, o que foi feito. Acontece que o JEEP foi transferido para um agente da Polícia Federal (PF) que trabalhou como segurança de Bolsonaro no período de campanha eleitoral. Cristina Boner, é ré na Caixa de Pandora e responde a vários processos que tramitam na justiça podendo agravar sua situação na Caixa de Pandora. O presidente Jair Bolsonaro foi aconselhado por amigos a se afastar do casal, pelo menos durante o processo do seu filho Flávio Bolsonaro.

                Ao retomar a carga contra os pandoristas o MPDFT protocolou as alegações finais do processo nº 2013.01.1.122065-5, relacionado ao crime de formação de quadrilha, investigado pela Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. No documento, de 408 páginas, o Gaeco pede a condenação dos réus às penas do crime de formação de quadrilha (sem a possibilidade da substituição da pena de prisão por qualquer outro regime) e o pagamento de R$ 2.919.290.657,22 que deverá ser pago de forma solidária entre as partes citadas a título de reparação aos cofres públicos.

                Abaixo a relação dos réus:

José Roberto Arruda
Paulo Octávio Alves Pereira
Durval Barbosa Rodrigues
José Geraldo Maciel
Fábio Simão
José Eustáquio de Oliveira
Márcio Evandro Rocha Machado
Maria Cristina Boner Leo
Ricardo Pinheiro Penna
José Luiz da Silva Valente
Roberto Eduardo Giffoni
Omézio Ribeiro Pontes
Adailton Barreto Rodrigues
Gibrail Nabih Gebrim
Rodrigo Diniz Arantes
Luiz Cláudio Freire de Souza França
Luiz Paulo Costa Sampaio
Marcelo Carvalho de Oliveira