Brasília: o duelo de Titãs

Por Mino Pedrosa

Esta semana o silêncio nos corredores da política no Distrito Federal revela uma briga nos bastidores que chega no judiciário podendo mudar o rumo do comando no Palácio do Buriti. O governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) duela armado com espada de ouro enfrentando seu algoz Luiz Felipe Belmonte que está de igual para igual com dinheiro e muito bom trânsito no judiciário.

O site www.quidnovibrasil.com a cerca de duas semanas postou com exclusividade a notícia de um inquérito explosivo que tramita em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça (STJ)sob a mesa do ministro  Herman Benjamin. O ministro pede ao Ministério Público mais informações sobre o governador Ibaneis Rocha para que possa decidir monocraticamente o destino político de Ibaneis.

No dia 16 de junho o 1º suplente de senador, do tucano Izalci Lucas, foi surpreendido com uma busca e apreensão da Polícia Federal a qual atribui a Ibaneis Rocha com movimentação surda nos bastidores. Belmonte acompanha com lupa o inquérito que tramita contra Ibaneis no STJ aos mesmos modos operandis de Ibaneis Rocha para também surpreendê-lo com o troco a qualquer momento. Paralelo a isso está o grupo de adversários que comandavam a política local torcendo para a derrocada de Ibaneis.

A prepotência e a arrogância do governador cria vários adversários por onde passa e na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), Ibaneis emparedou o presidente Rafael Prudente (MDB-DF) que coordenava os deputados do Centrão no toma lá dá cá com o governo. Agora, os mesmos deputados decidiram cobrar a fatura e com a fragilidade no momento, Ibaneis teve que abrir as torneiras evitando uma possível abertura de Comissão Parlamentar de Inquéritos catapultando para um Impeachment.

O que os deputados não sabem é que Ibaneis Rocha possui um trunfo, porém, o pouco tempo não permitiu que o govenador usasse o processo que tramita no Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) com centenas de horas de gravações contra a mesa diretora da CLDF. Uma operação semelhante a Draco, nitroglicerina pura, capaz de destituir novamente toda a mesa diretora e principalmente destruir Rafael Prudente, seu principal adversário, mas, de maneira velada.

No inquérito aparece Rafael Prudente trocando cargos nas empresas de seu pai para angariar votos na eleição em que foi eleito presidente. O distrital Rodrigo Demasso negocia votos com Prudente pedindo 150 cargos nas empresas dos familiares de Rafael que comenta com membros da mesa: “Delmasso é muito gulosinho, mas, vou falar com meu pai”.

Outro personagem que também aparece com muita frequência na investigação do MPDFT é Lucas Kotoyanis como sendo o coordenador que negociou toda essa engrenagem para eleger Rafael Prudente. Lucas era o encarregado por distribuir os cargos o que lhe rendeu grande espaço e poder na CLDF sendo considerado por muitos distritais como o 25º. A surpresa para os investigadores do MPDFT foi o ex-presidente do Congresso Nacional Eunício Oliveira que também aparece trocando cargos de sua empresa para emplacar o secretário da geral da CLDF Marlon Cambraia.

Os envolvidos nas investigações já se reuniram para avaliar o que possivelmente está nas mãos do MP. No entanto, escutas telefônicas e ambientais dão conta de muita maracutai no legislativo do Distrito Federal. O deputado João Cardoso (Avante) foi retirado das investigações com a alegação de que nada foi encontrado contra ele. Mas, curiosamente vários diálogos gravados sugerem que parlamentares estavam colaborando com o MP.

Na reunião entre os parlamentares investigados surge o nome de uma parlamentar, deputada distrital, Júlia Lucy (Novo-DF), como principal interessada em destruir a mesa diretora. O inquérito que flagra as ilicitudes da mesa diretora foi desmembrado do inquérito que apura crimes cometidos pelo distrital Robério Negreiros que estava ausente em viagem para o exterior, mas, registrando presença. A operação do GAECO está prestes a acontecer. Quem sabe, na próxima semana.