Fechando o cerco: crise familiar e escolha do PGR isola Bolsonaro de aliados

Por Mino Pedrosa

Confinado entre quatro paredes dentro do Palácio do Alvorada pelas suas razões o Presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL-RJ), vive o pior momento no seu inferno astral. Olhando para o próprio umbigo vem afastando seus principais aliados com atitudes impensadas em proteção de seus familiares. O ministro da justiça, Sérgio Moro, na semana passada recebeu do presidente duas punhaladas pelas costas, ouvindo do superior que: quem manda “aqui sou eu. Sou o presidente e remanejo quem eu quiser e a hora que eu quiser”. Disse, Bolsonaro ao transferir o superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro, Carlos Saadi, para os corredores da sede em Brasília. O motivo que fez o chefe do Estado maior agir pelas costas de Moro foi a investigação pela PF-RJ que descobriu o paradeiro de Fabrício Queiroz, ex assessor do então deputado estadual e filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro.

Acerca de três meses o presidente Bolsonaro recebeu informes da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), de que a PF-RJ estava investigando Queiroz e fazendo cruzamentos de movimentações financeiras entre o ex assessor do deputado e seus familiares. Bolsonaro decidiu também nas primeiras horas desta segunda-feira (19), transferir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) do Ministério da Fazenda para o Banco Central (BC). Com isso o coordenador do COAF nomeado pelo ministro Sérgio Moro foi demitido em razões de declarações que segundo Bolsonaro atingiram em cheio o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), José Antônio Dias Toffoli e seu filho Flávio Bolsonaro. Com isso aumentou a temperatura da crise entre Moro e Bolsonaro.

Entre quatro paredes, no auto exílio, desconfiando da própria sombra, com medo de ouvidos clandestinos, o Presidente só ouve Dias Toffoli que para se salvar emprestou uma boia a Flávio Bolsonaro atendendo ao pedido de seu defensor jurídico Frederick Wassef. Dias Toffoli proibiu que o MPF usasse os dados de movimentações financeiras conseguidos junto ao COAF sem autorização judicial. Vítimas dessa ação “clandestina” da cúpula da Lava Jato estavam: o ministro do STF Gilmar Mendes, o próprio Dias Toffoli, Flávio Bolsonaro e mais 15 investigados da Operação Lava Jato. O que Bolsonaro não conta é que a canetada monocrática do presidente do STF precisa passar pelo crivo do plenário da corte suprema. O que se tem de certeza é que Flávio Bolsonaro está se afogando em areia movediça. Pois, a boia lançada para o senador na areia movediça não tem o efeito desejado e com Queiroz na berlinda expõe o resto do “bando”. O plenário é soberano e pode afundar de vez todos os investigados.

Com todo esse imbróglio do senador Flávio Bolsonaro, o defensor jurídico Frederick Wassef tenta de todas as formas emplacar o futuro Procurador Geral da República (PGR) levando nomes sem a menor sustentação ideológica, moral, ética e profissional. Wassef trabalhou o nome de Raquel Dodge para a recondução do cargo em meados de junho. Mas, Bolsonaro repudiou a indicação. Em seguida o advogado paulistano apresentou o nome do subprocurador Bonifácio Andrada, totalmente vinculado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que trabalhou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex governador Aécio Neves e foi vice nos mandatos do PGR, Rodrigo Janot nomeado pela petista Dilma Rousseff. Bolsonaro ficou reticente com a indicação. No entanto, Frederick Wassef não parou por aí. Acerca de duas semanas trouxe o nome do subprocurador pelo Rio de Janeiro Antônio Carlos Simões Martins Soares, Bolsonaro achou ter encontrado o nome para indicar. Contudo, os antecedentes de Antônio Soares não dariam sustentação ética e moral para o cargo.

 Na manhã desta segunda-feira (19) o Presidente da República chamou as pressas o Procurador Regional, Lauro Cardoso, que segundo o site O Antagonista possui uma carreira parecida com a de Bolsonaro. Formado pela Academia das Agulhas Negras, também foi paraquedista no Exército. Foi secretário-geral nas gestões de Roberto Gurgel e Rodrigo Janot, este alinhado com o Partido dos Trabalhadores (PT). Ainda segundo o site O Antagonista, Lauro Cardoso espionava inimigos internos de Rodrigo Janot no MPF. Usava de aparatos militares para grampear procuradores adversários de Janot a exemplo da atual PGR, Raquel Dodge. Ao tomar posse Raquel Dodge foi surpreendida por escutas ambientais dentro de seu gabinete atribuídas a Rodrigo Janot e executada por Lauro Cardoso. O escândalo se tornou público pelo desabafo da PGR. Documentos internos comprovaram o ato criminoso.

Visivelmente transtornado Bolsonaro vem usando seu temperamento explosivo para proteger a família dos ataques dito por ele da ala política de esquerda infiltrada nos poderes. Acontece que ao protelar a nomeação do futuro PGR o presidente da margem para candidatos sem condições de exercer o cargo e em uma escolha apressada e errada o fará refém por dois anos, tempo de mandato do PGR assegurado por lei.