Esbulho: mediador, governador de Brasília advoga beneficiando empreiteiro

Por Mino Pedrosa

A ardilosa manobra da Urbanizadora Paranoazinho S/A (UPSA), para legalizar os 54 condomínios na chamada Fazenda Paranoazinho tem como mediador o governador de Brasília Ibaneis Rocha (MDB-DF). A pressa da Urbanizadora em legalizar a área tem como pano de fundo um projeto a ser executado pela empreiteira JC Gontijo que vai custar para o Banco Regional de Brasília uma fortuna bilionária. O projeto teve o interesse do ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), e desperta em Ibaneis Rocha a cobiça em executar o projeto Cidade Urbitá na sua gestão. A execução do empreendimento bilionário do empreiteiro, amigo do governador do Distrito Federal, revela a pressa de Ibaneis Rocha em legalizar os condomínios situados na Fazenda Paranoazinho.

Acontece que atualmente os condomínios localizados naquela região não possuem escrituras, portanto, não podem ser vendidos e financiados por instituição pública. A JC Gontijo, de propriedade de José Celso Valadares Gontijo, irá construir um empreendimento com capacidade para acomodar cerca de 130.000 (cento e trinta mil), pessoas o que faz dessa obra bilionária o maior investimento em curso para o Distrito Federal.

Durante uma das negociações com os representantes dos moradores, Ibaneis sugere que aceitem o valor de R$ 60,00 (sessenta reais) por metro quadrado, pois, o mesmo garantiria a proposta junto a urbanizadora. Em seguida liga para o Secretário de Habitação Matheus de oliveira e comunica o acordo selado para que seja feito o edital. No entanto, após conversa com José Celso, Ibaneis mudou o discurso e aumentou os valores a serem cobrados.

A legalização dos atuais condomínios beneficiará por tabela o complexo faraônico idealizado por José Celso que no apagar das luzes do governo de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), ganhou o direito de construir uma ponte que liga o Lago Sul ao Paranoá. O pagamento dos lotes a Urbanizadora Paranoazinho S/A renderá aos cofres da UPSA cerca de R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais) para a alegria de José Celso que é sócio oculto da empresa.

As conversas estão bem adiantadas desde que Ibaneis assumiu o governo do Distrito Federal. No dia 25 de fevereiro representantes da construtora JC Gontijo reuniram-se com o governador no Palácio do Buriti, para tratarem da construção da nova ponte no Lago que beneficia diretamente o empreendimento Cidade Urbitá. Em todas as reuniões é regra deixar os aparelhos de celulares fora das salas. No entanto, um dos participantes quebrou o protocolo e gravou os momentos inflamáveis.

 

Nem tudo é um mar de rosas nessas negociações. José Celso Valadares Gontijo é réu no âmbito da Operação Caixa de Pandora, que investiga pagamento de propina durante a gestão do ex-governador José Roberto Arruda. O empenho do governador Ibaneis Rocha é tanto que não se importa em correr o risco de responder por crimes de tráfico de influência e afirma ter influenciado nas decisões de ministro Antônio Carlos Ferreira do STJ: “a ação do STJ está perdida, autorizando o registro. Eu é que suspendi por amizade para tentar negociar” esbraveja Ibaneis. Em outro momento reitera que mandou o ministro suspender a ação.

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), está analisando com lupa as negociações que já tem investigações no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Já o Ministério Público Federal rastreia uma Offshore que supostamente liga Paulo Octávio, José Celso Gontijo e José Roberto Arruda, todos réus na Caixa de Pandora.

José Celso Gontijo “maus costumes”