Câmara Legislativa: a ponta do novelo

Por Mino Pedrosa

Um romance conturbado que se arrastou durante 20 anos e teve como fruto dois filhos, revelou o perfil violento e criminoso do sargento, João Hermeto de Oliveira Neto (SGTº. Hermeto), hoje deputado distrital. No dia 01/02/2002, uma quarta-feira, a esposa do então sargento, agora parlamentar, Vanusa Lopes Ferreira, registrou um boletim de ocorrências na Polícia Civil por ter sofrido agressões físicas e ameaças de morte tendo um revólver apontado para a sua cabeça após Hermeto descobrir que ela supostamente estava apaixonada por outro homem. De lá para cá, Vanusa pediu o divórcio várias vezes, mas, Hermeto sempre se fez de desentendido e por meio de ameaças conseguiu evitar que a mulher assumisse os romances clandestinos. O fim da afinidade do casal fez com que o candidato a distrital afastasse sua esposa da coordenação da campanha em 2018 e entregasse a coordenação financeira para Deivid Lopes Ferreira.

Após o afastamento da campanha, Vanusa passou a fazer vários levantamentos e descobriu que Deivid na verdade era um dos financiadores da campanha do agora deputado distrital Hermeto, por meio de caixa dois. Além disso era também o responsável por arrecadar verbas para a campanha sob o comando de Hermeto. Com isso, Vanusa preparou um dossiê e apresentou para o marido na tentativa de convencer Hermeto a retirar Deivid do comando financeiro da campanha.

As intrigas do casal não se restringiram ao relacionamento com traições, mas, também por disputas de espaço político. Logo após tomar conhecimento do dossiê, Hermeto determinou que um servidor de seu gabinete comprasse um rastreador veicular e colocasse clandestinamente no carro de Vanusa para forjar um flagrante da traição, denegrir a imagem da mulher e desqualificar o dossiê por ela confeccionado. A intenção não era somente sair de vítima de um adultério, mas, também, neutralizar uma possível denúncia no Ministério Público e tirar Vanusa do páreo da disputa nas próximas eleições. Haja vista, que possuem lideranças em comum.

Com o rompimento do casal vindo a público várias histórias de ações criminosas vieram à tona como o pagamento de rachadinha por parte dos servidores do gabinete do deputado distrital que são obrigados a devolver parte dos salários para o parlamentar. Fraudes na prestação de contas da campanha e uso de recursos não declarados por meio de caixa dois e desvios de verbas públicas advindas de emendas parlamentares. Deivid foi gravado por Sara dos Santos Maia, servidora do gabinete de Hermeto, revelando que cometeu fraudes na prestação de contas da campanha de Hermeto, depositando dinheiro na conta de doadores oficiais da campanha e investindo R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais). Todo o investimento usado por Deivid na campanha que elegeu Hermeto à Câmara Distrital foi cobrado com sete cargos no gabinete durante o mandato e o pagamento dos R$ 450.000,00 com juros a serem combinados. Diante das pressões de Deivid, Hermeto pediu a ajuda de Lucas Kontoyanis que já tem forte influência no mandato de pelo menos sete deputados. São eles: Reginaldo Sardinha, Daniel Donizet, João Cardoso, Roosevelt Vilela, Rafael Prudente e José Gomes. Lucas a mando de Hermeto chamou Deivid para uma reunião e propôs: “abra mão dos sete cargos que eu pago os seus RS 450.000,00 investidos na campanha do deputado  Hermeto”. Deivid de pronto não aceitou e fez uma contraproposta: “abro mão dos cargos e você me paga R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) que eu lhe entrego o mandato do Hermeto”. Lucas ligou para Hermeto aconselhando-o a ceder os cargos e negociar os R$ 450.000,00 investidos por Deivid. Todo esse imbróglio rocambolesco está documentado no MPDFT com várias gravações que comprovam os crimes praticados por Hermeto e outros parlamentares.

Deivid fala de quanto colocou na campanha de Hermeto e como burlou a legislação eleitoral na prestação de contas.

A bomba da “rachadinha” na Câmara Distrital não está restrita apenas aos depoimentos de servidores de Hermeto. O distrital foi gravado no banheiro tratando do recebimento de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) relativos a rachadinha e reclamando que o combinado seria de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). O interlocutor responde que naquele momento eram os trinta mil, mas, que os vinte mil restantes estariam sendo arrecadados. Segundo os depoimentos dos servidores no MP Licérgio era o responsável pela a arrecadação da rachadinha e repassava para o deputado Hermeto.

No dia 20 de setembro de 2019 Deivid Lopes Ferreira que foi indicado pelo deputado distrital, Fernando Fernandes (PROS-DF), para ocupar a chefia de gabinete da deputada Telma Rufino (PROS-DF), foi preso na Operação Escalada da Polícia Civil com buscas e apreensões em seus endereços, inclusive em seu gabinete. Documentos apreendidos nas buscas em poder do MP revelaram que Deivid financiava despesas particulares de Fernando Fernandes e a outros parlamentares. Foram encontrados recibos e extratos bancários que comprovam pagamentos da viagem de Fernandes com a família para o Ceará, com passagens aéreas e hospedagem no luxuoso Vila Gale Resort Cumbuco All Inclusive. Comprovantes de pagamentos de locação de carro feito por Deivid em nome de seus familiares, para atender o agora administrador da Ceilândia e sua família. Além disso quatro cartões de créditos Black sem nomes são suspeitos  de serem utilizados por parlamentares.

Outra acusação que pesa sobre Fernando Fernandes é de que ele enquanto delegado da 19ª DP apreendeu uma caminhonete em posse de um traficante e a utilizou na campanha sem autorização judicial. A juíza já ouviu testemunhas e o caso encontra-se em sigilo.

Em seu depoimento Deivid confirmou que financiava até a data de sua prisão, despesas particulares de Fernando Fernandes e arrecadava recursos junto a empresários para poder arcar com os pagamentos. Também entregava dinheiro em espécie com frequência. Confirmou ser um dos financiadores da campanha do então candidato a distrital nas eleições de 2018.

Dossiê em posse do MP revela que investidores de campanhas políticas para a Câmara Distrital recebem o investimento por meio de emendas parlamentares e prestação de serviços indicados por seus deputados. A exemplo da empresária Elisabeth Maria da Silva, proprietária  da Revista  Antenados que publica matérias exaltando deputados e recebe o pagamento via emendas parlamentares e projetos indicados por deputados.

Hermeto acusa Vanusa de tentar executar projetos em carretas com aulas de áudio visual pagas por meio de emendas de seu gabinete no valor de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais). Ao descobrir que o coordenador do projeto seria o atual namorado de Vanusa, retaliou cancelando a emenda, porém, acabou por inviabilizar também pagamentos para a Revista Antenados.

Sara acompanhada de seu esposo foram hoje ao MP entregar documentos que compravam os pagamentos da rachadinha que eram exigidos a ela, ou seja: 10% do valor líquido do salário. Outros servidores que também repassavam rachadinha para o deputado Hermeto prestaram depoimentos.

A princípio a matéria estava sendo apurada e era para ser publicada ontem dia 05/11/2019 no entanto o site Quidnovibrasil sofreu a ação de hackers que o tiraram do ar. Como não foi possível o restabelecimento até o momento então atrasamos a publicação, mas, conseguimos publicar no Istoébrasilia nesse momento.

AutorRomulo LoyolaPublicado emnovembro 6, 2019CategoriasNotíciasEditar”Câmara Legislativa: a ponta do novelo”

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